terça-feira, 15 de novembro de 2011

Grande Sertão: Veredas. Parte I



   
"A lingua e eu somos um casal de amantes que juntos procriam apaixonadamente, mas a quem até hoje foi negada a bênção eclesiástica e científica" (Guimarães Rosa)


     Dia 9 de novembro de 2011 - uma data muito especial, diga-se de passagem - eu comecei a ler  Grande Sertão: Veredas, do João Guimarães Rosa. O livro que pertence a Biblioteca Municipal, é a primeira edição da editora Novas Fronteiras, foi publicado em 2006 e tem 608 páginas. 
     Considerado como a "obra-prima" da Literatura Brasileira, as primeiras páginas desse livro já fazem jus a fama que ele recebe. Com uma linguagem extremamente personalizada, repleta de neologismos, regionalismos, e outros ismos próprios do autor, Grande Sertão me encantou logo de princípio. Escrever "do modo que se fala", não foi uma novidade criada por Guimarães, visto que já vinha sendo usada em grandes obras desde alguns anos antes, com a primeira fase do modernismo, mas em Grande Sertão esse recurso me pareceu mais natural, pareceu se encaixar melhor do que em outras obras modernistas que eu tive a oportunidade de ler. 
    Encontrei inúmeras expressões desconhecidas para mim. Algumas, eu consegui decifrar através do contexto, outras, tive que recorrer ao google, e outras ainda, ficaram sem significado. Mas as que mais me encantaram, foram as palavras decorrentes de união de outras duas palavras. Não encontrei um nome específico para esse recurso gráfico, mas eu gosto de chamar de aglutinação de palavras sinônimas. Sem remédio + irremediável = Sem remediável; pouquinho + bocadinho = um poucadinho. Outro recurso bem decorrente que eu pude perceber, nas meras 86 páginas que li até o momento, são os diminutivos, que são feitos de uma forma bastante singular: casinha - casim; barulhinho = barulhim. Os acentos também me chamaram atenção: Guimarães acentua as palavras como bem entende, e com alguma pesquisa, soube que ele tinha uma certa teimosia com isso.
    Em suma,  Guimarães Rosa não se importava com o certo e o errado. Ele simplesmente usava o que soava melhor. "Pão ou pães, é questão de opiniães". Sem dúvidas, o conjunto de tantos recursos únicos, fazem desse livro uma obra de valor inestimável para a nossa literatura. Fazem também, da leitura um processo surpreendente e envolvente - onde tu podes descobrir um mundo novo a cada parágrafo - e admito, um tanto demorada. A certeza que fica é que cada página vale a pena.

E eu ainda tenho 522 pela frente!