Fevereiro foi o mês das tragédias. Como sempre, estou afundada nas leituras obrigatórias, o que limita um pouco minhas escolhas, mas, não posso reclamar, porque sempre são leituras significativas ao extremo. Para a disciplina de Estudos Literários II, nesse semestre, estamos estudando textos dramáticos. A primeira leitura foi Édipo Rei.
Édipo Rei é uma das sete peças de Sófocles que chegaram até os dias atuais - as outras 116 se perderam ao longo do caminho. Foi escrita em 427. a.C e foi considerada por Aristóteles a tragédia grega mais perfeita escrita até então. A história se passa na antiga Grécia e a ação se constrói em torno de uma profecia, feita ao rei Édipo, que insiste em se cumprir, no matter what. Uma história que, como toda boa tragédia, envolve dramas, mortes, diálogos incríveis e até relações de incesto. É dessa peça que temos o termo Complexo de Édipo, desenvolvido pelo Freud, anos depois.
Junto com Édipo Rei, outra famosa obra que compõe as tragédias de Sófocles é Antígona. Antígona, que eu li em 2012, é de longe minha tragédia preferida. Com uma protagonista que encanta pela sua coragem e determinação, Antígona conta a história de uma jovem (filha do mencionado rei Édipo) que luta contra o sistema e vai contra as regras ordenadas pelo atual rei para obedecer seus deuses.
Antígona ainda que menos chocante que Édipo Rei - a tragédia soa menos trágica -, supera-o em conteúdo, uma vez que trata sobre questões sociais, leis, e organização de cidade, ao contrário de Édipo, que se resume a relações, em sua maioria, pessoais. Mas as duas tragédias se complementam e se constituem como leituras de formação indispensáveis.
As tragédias gregas foram e são até hoje as principais referências ao que diz respeito a teatro. As duas peças mencionadas foram interpretadas milhares de vezes mundo a fora. Os textos são de uma riqueza de expressão imensa, e mesmo não tendo acesso aos originais - ao menos que você, ao contrário de mim, leia grego -, as traduções podem nos dar uma noção aproximada do que esses textos representavam na época.
Bem, outra referência forte e marcante nos textos dramáticos, é William Shakespeare. Shakespeare, o autor mais adaptado desde sempre, está mais atual que nunca. Ele deu novos moldes aos padrões estabelecidos na Grécia, levando para o teatro vários núcleos de ação, estendendo o número de personagens e, consequentemente, desenvolvendo um enredo mais complexo.
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| Famoso trecho de Hamlet |
Hamlet, que a princípio parece tratar de uma simples história sobre vingança, a partir de uma análise mais profunda, revela reflexões interessantíssimas sobre as reações humanas perante a morte. Essa peça traz algumas das mais famosas frases e é citado frequentemente nas redes sociais por pessoas que nem leram a peça. Não está no meu top 10 de leituras, talvez nem mesmo no meu top 20, mas qualquer um reconhece o valor imensurável dessa obra. Também é uma leitura de formação fundamental e, no mínimo, te faz refletir sobre assuntos que estão tão presentes nos dias atuais quanto estiveram na época em que a peça foi escrita.
E, por fim, aproveitando o embalo das leituras, li também o que talvez seja a peça mais famosa de todos os tempos: Romeu e Julieta. A peça, escrita no século 16, torna desnecessária qualquer descrição, pois qualquer um que tenha vivido no planeta terra nos últimos séculos, ao menos já ouviu falar sobre a história dos desafortunados amantes. O texto, como seu gênero já diz, é extreeemamente dramático. Para mim, que vivo em pleno século XXI, soa realmente pouco plausível. Mas após fazer vários esforços para me adaptar ao contexto de criação da peça, acabei me encantando pelos diálogos lindíssimos e pelo texto incrivelmente bem escrito. Shakespeare, seu gênio.
Então, aí estão as quatro tragédias super recomendadas por mim por todos os estudiosos de literatura. Procurem boas traduções, preparem-se para finais infelizes e boa leitura! :D

