domingo, 14 de abril de 2013

Admirável mundo novo e 1984



Encerro o bloco de leituras distópicas com Admirável Mundo novo, do Aldous Huxley. Avaliado com duas estrelas (regular) no skoob, esse foi um livro que me decepcionou. Talvez por ser altamente conceituado e muito famoso, eu fiquei esperando que o livro fosse bem mais elaborado.

A sociedade distópica criada por Huxley me soou um tanto inverossímil. A criação da sociedade perfeita estável é feita através de mensagens hipnopédicas que condicionam as pessoas desde sua produção – não há mais o conceito de família aqui -, sendo a mesma mensagem repetida milhões de vezes durante o sono. Então todos são felizes, amam o estado e são totalmente manipuláveis. Beleza. Mas algumas coisas ficam mal explicadas.



Resumo da wikipédia aqui.

O que mais me desagradou é que esse livro em contraponto com 1984, do George Orwell, se reduz a apenas mais um livro distópico. No sentido que, Orwell cria também uma sociedade distópica, uma forma de governo alternativa e uma realidade que choca, mas faz isso de forma totalmente verossímil – tão verossímil, que um sentimento de medo perpassa toda a leitura: e se isso realmente acontecer? -. Não há falhas nessa construção.

O mais interessante de 1984, entretanto, é a crítica implícita muito forte. Orwell crítica tudo que já fazemos - ou melhor, fazíamos em 1949 quando o livro foi escrito -, elevando isso ao máximo. Ele faz, praticamente, uma caricatura da sociedade, exagerando a manipulação e a padronização como ferramenta de denúncia. Porém, faz isso sem transformar a obra numa comédia: 1984 é de uma seriedade muito grande, e por isso, assustador.

Conseguimos depreender de 1984 vários pontos a serem observados e vários temas periféricos que serão sempre atuais. A verdade, as relações de poder, a manipulação da mídia, a manipulação do governo, as relações pessoais, o papel dos homens na sociedade, entre tantos outros pontos que podem ser observados nessa narrativa.