Encerro o bloco de leituras distópicas com Admirável Mundo
novo, do Aldous Huxley. Avaliado com duas estrelas (regular) no skoob, esse foi
um livro que me decepcionou. Talvez por ser altamente conceituado e muito
famoso, eu fiquei esperando que o livro fosse bem mais elaborado.
A sociedade distópica criada por
Huxley me soou um tanto inverossímil. A criação da sociedade perfeita estável é
feita através de mensagens hipnopédicas
que condicionam as pessoas desde sua produção – não há mais o conceito de
família aqui -, sendo a mesma mensagem repetida milhões de vezes durante o
sono. Então todos são felizes, amam o estado e são totalmente manipuláveis.
Beleza. Mas algumas coisas ficam mal explicadas.
Resumo da wikipédia aqui.
O que mais me desagradou é que
esse livro em contraponto com 1984, do George Orwell, se reduz a apenas mais um livro distópico. No sentido que,
Orwell cria também uma sociedade distópica, uma forma de governo alternativa e
uma realidade que choca, mas faz isso de forma totalmente verossímil – tão verossímil,
que um sentimento de medo perpassa toda a leitura: e se isso realmente acontecer? -. Não há falhas nessa construção.
O mais interessante de 1984,
entretanto, é a crítica implícita muito forte. Orwell crítica tudo que já
fazemos - ou melhor, fazíamos em 1949 quando o livro foi escrito -, elevando
isso ao máximo. Ele faz, praticamente, uma caricatura da sociedade, exagerando
a manipulação e a padronização como ferramenta de denúncia. Porém, faz isso sem
transformar a obra numa comédia: 1984 é de uma seriedade muito grande, e por
isso, assustador.


