(Páginas anexas no livro - Cópia dos manuscritos)
Memórias do Cárcere tem um caráter autobiográfico, pois Graciliano Ramos retrata suas experiências da época em que esteve preso. O livro se divide em três volumes e eu li o primeiro. Uma leitura impressionante. Contém muita metalinguagem - característica moderna - uma vez que Graciliano passa todo tempo em que está no cárcere escrevendo notas que dariam origem a esse livro - mas, segundo ele no prólogo, as notas foram perdidas, posteriormente.
Arrependia-me vagamente das asperezas e injustiças, ao mesmo tempo suponha-me fraco, a escorregar em condescendências inúteis, e queria endurecer o coração, eliminar o passado, fazer com ele o que faço quando emendo um período - riscar, engrossar os riscos e transformá-los em borrões, suprimir todas as letras, não deixar vestígios das ideias obliteradas. (Trecho do Memórias do Cárcere)O livro marca o leitor pelo seu caráter intenso. Graciliano Ramos não usa a palavra em vão - ele tem um propósito com cada letra que coloca no papel, e o cumpre a cada frase marcante que registra em seu livro. A escrita em primeira pessoa é um recurso tão dominado pelo autor, que muitas vezes durante a leitura esqueci que era um romance autobiográfico e quem narrara era o próprio autor. Graciliano poderia, inclusive, ser confundido com uma de suas personagens - Paulo Honório, de São Bernardo.
Enfim, um livro excelente, recomendadíssimo, e marcado com 4 estrelas no skoob. Um beijo para a nossa literatura brasileira, tão rica. :)
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