domingo, 27 de janeiro de 2013

1984

e a distopia.

(em breve)

Memórias do Cárcere

Nada que eu escreva sobre Graciliano Ramos, estará a altura da genialidade desse autor. Mas ainda assim, escreverei algumas linhas sobre Memórias do Cárcere, publicado em 1954, após a morte do autor.


(Páginas anexas no livro - Cópia dos manuscritos)


Memórias do Cárcere tem um caráter autobiográfico, pois Graciliano Ramos retrata suas experiências da época em que esteve preso. O livro se divide em três volumes e eu li o primeiro. Uma leitura impressionante.  Contém muita metalinguagem - característica moderna - uma vez que Graciliano passa todo tempo em que está no cárcere escrevendo notas que dariam origem a esse livro - mas, segundo ele no prólogo, as notas foram perdidas, posteriormente. 

Arrependia-me vagamente das asperezas e injustiças, ao mesmo tempo suponha-me fraco, a escorregar em condescendências inúteis, e queria endurecer o coração, eliminar o passado, fazer com ele o que faço quando emendo um período - riscar, engrossar os riscos e transformá-los em borrões, suprimir todas as letras, não deixar vestígios das ideias obliteradas. (Trecho do Memórias do Cárcere)
O livro marca o leitor pelo seu caráter intenso. Graciliano Ramos não usa a palavra em vão - ele tem um propósito com cada letra que coloca no papel, e o cumpre a cada frase marcante que registra em seu livro. A escrita em primeira pessoa é um recurso tão dominado pelo autor, que muitas vezes durante a leitura esqueci que era um romance autobiográfico e quem narrara era o próprio autor. Graciliano poderia, inclusive, ser confundido com uma de suas personagens - Paulo Honório, de São Bernardo.

Enfim, um livro excelente, recomendadíssimo, e marcado com 4 estrelas no skoob. Um beijo para a nossa literatura brasileira, tão rica. :)


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O senhor das Moscas

A última - e única - vez que escrevi nesse blog foi há mais de um ano atrás. Agora, em férias, e relendo o último post, percebi o quão útil era escrever sobre reflexões de livros. Então, a ideia para 2013, é retomar o blog, e escrever ao menos um parágrafo sobre cada livro que eu ler.

Vou retomar o blog, falando então, sobre O senhor das moscas do autor britânico William Golding, publicado em 1954 - cuja leitura acabei de terminar.

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILER. 




"Um grupo de jovens tenta construir uma civilização numa ilha tropical deserta, e o projeto acaba em sangue e terror, segundo definição do próprio autor. Nessa distopia juvenil, publicada em 1954 após a recusa de 21 editoras, Golding desenvolve uma visão pessimista do homem que tem a marca do nazismo, do stalinismo e do horror atômico da Segunda Guerra. Golding ganharia o Prêmio Nobel em 1983."

O senhor das Moscas foi o primeiro livro que li em 2013, e admito, li somente porque era leitura obrigatória da faculdade. Não é o tipo de livro que me interessa - até porque, ultimamente, subconscientemente tenho me interessado somente por literatura brasileira - e quase o abandonei nas primeiras dez páginas.

Mas, a medida que insisti, o livro acabou por me conquistar. A partir da página 20, a história dos meninos náufragos começa a ficar envolvente - a ponto da linguagem complicada ficar em segundo plano. Com um vocabulário não tão simples,  as 153 páginas, dividas em 12 capítulos, exigem uma leitura atenciosa, e em certos trechos, demorada.

A história é surpreendente e mostra como a humanidade pode ser cruel, sem escrúpulos e selvagem, mesmo quando os humanos são crianças. E justamente, por serem crianças, o autor consegue mobilizar os leitores, chocando-os. Esse choque pode ser sentindo de forma mais intensa quando dois das personagens mais cativantes da história morrem, num intervalo de 30 páginas. 

Uma leitura intensa e altamente recomendável para todos que quiserem adentrar em um mundo onde, por mais que se lute por, não existem regras ou códigos civis para serem seguidos. Onde não, o homem não é bom por natureza. :)