e a distopia.
(em breve)
domingo, 27 de janeiro de 2013
Memórias do Cárcere
Nada que eu escreva sobre Graciliano Ramos, estará a altura da genialidade desse autor. Mas ainda assim, escreverei algumas linhas sobre Memórias do Cárcere, publicado em 1954, após a morte do autor.
Enfim, um livro excelente, recomendadíssimo, e marcado com 4 estrelas no skoob. Um beijo para a nossa literatura brasileira, tão rica. :)
(Páginas anexas no livro - Cópia dos manuscritos)
Memórias do Cárcere tem um caráter autobiográfico, pois Graciliano Ramos retrata suas experiências da época em que esteve preso. O livro se divide em três volumes e eu li o primeiro. Uma leitura impressionante. Contém muita metalinguagem - característica moderna - uma vez que Graciliano passa todo tempo em que está no cárcere escrevendo notas que dariam origem a esse livro - mas, segundo ele no prólogo, as notas foram perdidas, posteriormente.
Arrependia-me vagamente das asperezas e injustiças, ao mesmo tempo suponha-me fraco, a escorregar em condescendências inúteis, e queria endurecer o coração, eliminar o passado, fazer com ele o que faço quando emendo um período - riscar, engrossar os riscos e transformá-los em borrões, suprimir todas as letras, não deixar vestígios das ideias obliteradas. (Trecho do Memórias do Cárcere)O livro marca o leitor pelo seu caráter intenso. Graciliano Ramos não usa a palavra em vão - ele tem um propósito com cada letra que coloca no papel, e o cumpre a cada frase marcante que registra em seu livro. A escrita em primeira pessoa é um recurso tão dominado pelo autor, que muitas vezes durante a leitura esqueci que era um romance autobiográfico e quem narrara era o próprio autor. Graciliano poderia, inclusive, ser confundido com uma de suas personagens - Paulo Honório, de São Bernardo.
Enfim, um livro excelente, recomendadíssimo, e marcado com 4 estrelas no skoob. Um beijo para a nossa literatura brasileira, tão rica. :)
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
O senhor das Moscas
A última - e única - vez que escrevi nesse blog foi há mais de um ano atrás. Agora, em férias, e relendo o último post, percebi o quão útil era escrever sobre reflexões de livros. Então, a ideia para 2013, é retomar o blog, e escrever ao menos um parágrafo sobre cada livro que eu ler.
Vou retomar o blog, falando então, sobre O senhor das moscas do autor britânico William Golding, publicado em 1954 - cuja leitura acabei de terminar.
ATENÇÃO: CONTÉM SPOILER.
Vou retomar o blog, falando então, sobre O senhor das moscas do autor britânico William Golding, publicado em 1954 - cuja leitura acabei de terminar.
ATENÇÃO: CONTÉM SPOILER.
"Um grupo de jovens tenta construir uma civilização numa ilha tropical deserta, e o projeto acaba em sangue e terror, segundo definição do próprio autor. Nessa distopia juvenil, publicada em 1954 após a recusa de 21 editoras, Golding desenvolve uma visão pessimista do homem que tem a marca do nazismo, do stalinismo e do horror atômico da Segunda Guerra. Golding ganharia o Prêmio Nobel em 1983."
O senhor das Moscas foi o primeiro livro que li em 2013, e admito, li somente porque era leitura obrigatória da faculdade. Não é o tipo de livro que me interessa - até porque, ultimamente, subconscientemente tenho me interessado somente por literatura brasileira - e quase o abandonei nas primeiras dez páginas.
Mas, a medida que insisti, o livro acabou por me conquistar. A partir da página 20, a história dos meninos náufragos começa a ficar envolvente - a ponto da linguagem complicada ficar em segundo plano. Com um vocabulário não tão simples, as 153 páginas, dividas em 12 capítulos, exigem uma leitura atenciosa, e em certos trechos, demorada.
A história é surpreendente e mostra como a humanidade pode ser cruel, sem escrúpulos e selvagem, mesmo quando os humanos são crianças. E justamente, por serem crianças, o autor consegue mobilizar os leitores, chocando-os. Esse choque pode ser sentindo de forma mais intensa quando dois das personagens mais cativantes da história morrem, num intervalo de 30 páginas.
Uma leitura intensa e altamente recomendável para todos que quiserem adentrar em um mundo onde, por mais que se lute por, não existem regras ou códigos civis para serem seguidos. Onde não, o homem não é bom por natureza. :)
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Grande Sertão: Veredas. Parte I

"A lingua e eu somos um casal de amantes que juntos procriam apaixonadamente, mas a quem até hoje foi negada a bênção eclesiástica e científica" (Guimarães Rosa)
Dia 9 de novembro de 2011 - uma data muito especial, diga-se de passagem - eu comecei a ler Grande Sertão: Veredas, do João Guimarães Rosa. O livro que pertence a Biblioteca Municipal, é a primeira edição da editora Novas Fronteiras, foi publicado em 2006 e tem 608 páginas.
Considerado como a "obra-prima" da Literatura Brasileira, as primeiras páginas desse livro já fazem jus a fama que ele recebe. Com uma linguagem extremamente personalizada, repleta de neologismos, regionalismos, e outros ismos próprios do autor, Grande Sertão me encantou logo de princípio. Escrever "do modo que se fala", não foi uma novidade criada por Guimarães, visto que já vinha sendo usada em grandes obras desde alguns anos antes, com a primeira fase do modernismo, mas em Grande Sertão esse recurso me pareceu mais natural, pareceu se encaixar melhor do que em outras obras modernistas que eu tive a oportunidade de ler.
Encontrei inúmeras expressões desconhecidas para mim. Algumas, eu consegui decifrar através do contexto, outras, tive que recorrer ao google, e outras ainda, ficaram sem significado. Mas as que mais me encantaram, foram as palavras decorrentes de união de outras duas palavras. Não encontrei um nome específico para esse recurso gráfico, mas eu gosto de chamar de aglutinação de palavras sinônimas. Sem remédio + irremediável = Sem remediável; pouquinho + bocadinho = um poucadinho. Outro recurso bem decorrente que eu pude perceber, nas meras 86 páginas que li até o momento, são os diminutivos, que são feitos de uma forma bastante singular: casinha - casim; barulhinho = barulhim. Os acentos também me chamaram atenção: Guimarães acentua as palavras como bem entende, e com alguma pesquisa, soube que ele tinha uma certa teimosia com isso.
Em suma, Guimarães Rosa não se importava com o certo e o errado. Ele simplesmente usava o que soava melhor. "Pão ou pães, é questão de opiniães". Sem dúvidas, o conjunto de tantos recursos únicos, fazem desse livro uma obra de valor inestimável para a nossa literatura. Fazem também, da leitura um processo surpreendente e envolvente - onde tu podes descobrir um mundo novo a cada parágrafo - e admito, um tanto demorada. A certeza que fica é que cada página vale a pena.
E eu ainda tenho 522 pela frente!
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